VOCÊ VIAJARIA NUMA CAPSULA DO TEMPO?

Viajar no tempo sempre esteve entre os maiores sonhos do imaginário humano. A possibilidade de corrigir erros do passado ou visitar o futuro para conferir o resultado de nossas escolhas no presente há muito tempo é tema de complexas teorizações na área da física, bem como de arrecadações milionárias nas bilheterias hollywoodianas. No entanto, esse antigo sonho pode estar prestes a virar realidade…

Mas não vá se animando à toa… a viagem no tempo assim como nós vemos nas telas de cinema, aos moldes “De volta para o futuro”, ainda é uma impossibilidade física (por enquanto). Mas confesso que uma notícia recebida através das redes sociais nessa semana me fez viajar no tempo.

O governo do Estado do Rio Grande do Sul, através da Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia, e a empresa HyperloopTT, assinaram nesta terça-feira (19) acordo para um estudo inicial de viabilidade da rota Porto Alegre–Serra para um transporte de altíssima velocidade pelo sistema hyperloop, para passageiros ou cargas . Dependendo do resultado do estudo, que contará com o apoio da UFRGS, o Estado pode ter, no futuro, o primeiro sistema de transporte por cápsulas de altíssima velocidade da América Latina.

Mas a final, o que é esse tal de hyperloop???

Baseado em um conceito apresentado pela primeira vez em 2013 por Elon Musk e uma equipe conjunta da Tesla e da SpaceX, o hyperloop é um sistema de transporte por cápsulas que viajam a altíssimas velocidades por levitação magnética (eliminando o atrito das rodas) no interior de tubos despressurizado (eliminando a resistência do ar), podendo assim chegar a velocidades que podem atingir a casa dos 1.200 km/h, com conforto e segurança superiores a de aviões.

O projeto estudará um trajeto que irá de Porto Alegre até a cidade de Caxias do Sul, a segunda mais populosa do Estado. Com 129 km de distância, esse caminho que é percorrido em cerca de 1h40 de carro, caso a tecnologia venha a ser implantada, poderá ser reduzido para cerca de 12 minutos.

É aqui que começa a viagem no tempo. Me parece praticamente impossível, diante de uma notícia dessas, não ser, ainda que apenas na imaginação, transportado alguns anos para o futuro. Imaginar como serão as formas de nos deslocarmos, o quanto novas tecnologias, que sequer foram pensadas, que ainda estão por surgir e mudar nosso estilo de vida, encurtar distâncias e mudar nossa forma de nos relacionarmos com as cidades e com nós mesmos… Mas, apesar do discurso progressista do governador Eduardo Leite, que afirmou durante o pronunciamento do acordo:

“Aqui, somos demandados pelo passado do Estado, à luz dos feitos e defeitos. Mas para que possamos nos mover no presente em direção ao futuro, temos que agir. Não vivemos do passado, vivemos de futuro.”

Ainda assim, é difícil que essa mesma notícia não nos transporte, de forma paradoxal, alguns anos no passado. Que nos faça reviver, de maneira dolorosamente desconfiada, outras tantas soluções que prometiam elevar Porto Alegre à cidade modelo de mobilidade do futuro e que, por diversas vezes, sequer saíram do papel.

A primeira (e única) linha de metrô de Porto Alegre, por exemplo, que teve sua implantação em 1985, mesmo ano do meu nascimento. E, desde que eu me entendo por gente, ouço promessas de uma ampliação das linhas do mesmo. Ou a promessa que durante anos, em diversas palestras que ministrei pela cidade, eu mesmo divulguei de uma provável implantação do sistema de BRT (Bus Rapid Transit), o que acabou se limitando apenas aos planos político-partidários.

E, mais recentemente, sofremos a lamentável perda do genial inventor Oskar Hans Wolfgang Coester, que faleceu em novembro do último ano. Coester, que poderia ser comparado ao Elon Musk da sua época, foi o responsável pela criação do Aeromovel, que, além dos 1.011 metros implantados e em operação desde 2013, atualmente ligando o Aeroporto Salgado filho à Estação do Trem, deixou de legado à cidade uma tecnologia incrivelmente inovadora e 100% brasileira. Tecnologia a qual faz a nós, porto-alegrenses, sentirmos um misto de extremo orgulho com uma pitada de decepção todas as vezes que passamos diante à linha piloto, com aproximadamente 1 km, na Avenida Loureiro da Silva, implantada em 1986 e abandonada alguns anos depois.

São exemplos como esse último que nos fazem entender na prática o significado da máxima “santo de casa não faz milagre“…


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